domingo, 25 de setembro de 2011

Resposta á "Sub-Comissão"

comentário-queixa da "sub-comissão de moradores do Hotel Casa Grande" postado aqui em meu blog, transcrevo-o  e em seguida dou minha resposta. 

2011/9/25 Anônimo 
Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem

Cara Marilia de Laroche
De antemão, parabenizo-a por sua luta ativista sócio-cultural em estar sempre denunciando em seu blog os descasos que afetam nossa cidade, em particular nosso belo Centro Histórico. Com relação a polêmica levantada acerca do lixo do Hotel Casa Grande, vale lembrar o seguinte: 1) Antes de mais nada, ficar batendo boca pra saber quem tem razão não contribui em nada. Por que não sentar e elaborar uma solução como pessoas civilizadas? 2) Além do que foi citado, de forma generalizada, o HCG também é residência para muita gente: Aqui em sua maioria, residem retirantes do interior, artistas, escritores, estudantes, trabalhadores, estrangeiros de larga temporada, famílias, e outros sem-tetos. 3) Quanto ao lixo poderíamos sair em qualquer lugar do país fotografando os mais diversos tipos de lixos expostos nas calçadas, que iríamos ter um calhamaço book fotográfico jamais visto. Se reparar, na sua foto pode ver que os sacos estão totalmente fechados. Se por acaso algum outro tipo de bicho vem e o viola, o problema é com o dono dos bichos, que por ventura usam a rua para fazerem o n° 1 e o n° 2. Por fim, não é possível que uma coisa tão banal e inanimada, possa ameaçar o direito constitucional e indisponível de muitos em possuir moradia.
Sugestiono a você e ao seu público a assistirem o documentário Lixo Extraordinário. Quem sabe vocês possam ter uma nova visão a respeito da nossa causa.
Att,
Sub-Comissão em favor da permanência dos Moradores do Casa Grande. 

Minha resposta:
Obrigada por reconhecer minha luta. Ela não é só minha e não é em causa própria. É por todos nós. Não gosto de responder á anônimos. Eu tenho a coragem de assinar o que eu escrevo. Mas como eu imagino quem você possa ser, eu vou abrir essa exceção. Primeiro: não bati boca. Há cinco anos eu venho pedindo, com toda a educação e “tato”, ao dono do hotel e aos funcionários, com os quais, até então eu sempre mantive uma relação de respeito, que eles não deixem o lixo na calçada o dia inteiro sem necessidade já que o caminhão só passa á noite e que não coloquem o lixo no domingo já que não há coleta nesse dia. E eu não peço somente á eles. Eu venho pedindo, com o maior jeito, á todos os vizinhos que colaborem nesse sentido. Vivemos em uma cidade onde o calor dilata e multiplica as bactérias, onde os transtornos de seis meses de chuvas intensas são muito grandes e muito ligados ao fato do lixo deixado nas calçadas serem arrastados pelas enxurradas, entupindo bueiros e inundando as casas das ruas de baixo.  Só que um dia a gente acaba perdendo um pouco a paciência e para que as coisas mudem às vezes é preciso um choque, uma sacudida. Foi o que eu fiz. Dei uma sacudida. Fui tratada de “vagabunda” pra baixo pela dona Eliane. Coitada. Sentar para encontrar uma solução? Claro! Tentei conversar com seu Garden, o dono desse “hotel” e ele se recusou a falar comigo. E a solução, caro anônimo, ela é muito simples: basta que ele compre uma lata de lixo, dessas tamanho família, compre sacos de lixo de 200 litros e coloque a lata á disposição dos “hospedes” no pátio (abandonado) do próprio hotel. À noite, a pessoa responsável colocaria então o lixo pra fora para ser recolhido pelo caminhão da prefeitura. Simples! Quanto custa uma lata de lixo e sacos de 200 litros? Francamente... O que você paga pelo seu quartinho, com certeza , dá para o dono do “hotel” comprar essa lata de lixo. Então, não tente me fazer passar pela pessoa não civilizada dessa história.
Segundo: entendo que você tenha medo de perder sua moradia, já que o "hotel" em que vive deve receber novamente a visita da vigilância sanitária daqui até o dia 30 de setembro. Caro anônimo, não é minha intenção colocar ninguém na rua. Não queira me colocar também como vilã nessa história. A vigilância sanitária vai é proteger você e os demais moradores. Vai é fazer com que o dono desse “hotel” que fatura, muito provavelmente sem notas, arque com suas responabilidades e respeite vocês enquanto  “clientes” – que eu saiba, ninguém mora ai de favor – e que ele tenha consciência do próprio imóvel que é propriedade dele mas é uma pérola do patrimônio da cidade. E olha que eu nem mencionei o risco de incêndio que vocês correm permitindo que as motos sejam guardadas na recepção do hotel. Se por acaso gotas de gasolina ou óleo começam a se impregnar nas pedras de cantaria e alguém sem querer deixa cair uma guimba de cigarro... Ai, ai, ai! Lá se vão vidas! E lá se vai um casarão dos tempos coloniais.
Terceiro: o lixo , como você mesmo disse, é um problema crônico de toda cidade, mas é um problema causado por seres humanos e que pode ser solucionado por seres humanos. Basta ter bom senso e vontade de mudar o que há anos vem sendo feito incorretamente. Não acredito que você concorde com a sujeira bem na porta do lugar onde você vive. Na foto o lixo ainda está fechado porque eu o fotografei tão logo foi colocado, mas faço questão de incluir outras fotografias com o lixo do Hotel Casa Grande aberto e transbordando nojentamente pela rua. 
Esse lixo, que você chama de “ coisa banal e inanimada” é causador de mortes : por inundação, por contaminação , por intoxicação e por ignorância.  Se gatos e cachorros (que são também problemas urbanos ) vêm fuçar em lixos é pura e simplesmente por que o lixo está ali exposto. Não vá também colocar a culpa nos animais. 
Leia a constituição antes de citá-la: seu direito á moradia está diretamente relacionado ás condições de higiene em que deve viver. E, meu caro anônimo, você não entendeu a mensagem do documentário sobre a obra do artista Vik Muniz... Ela é de "transformação". Não vejo qual seria a relação entre o lixão de Gramacho e o lixo que eu , e várias outras pessoas na cidade, lutam para impedir que vire "coisa normal" jogada aos ratos e baratas. Talvez o fato de as próprias pessoas a quem o Vik Muniz deu a oportunidade de se relacionarem com a arte (que se pode também fazer com " lixo"), não quererem mais voltar para o lixão de Gramacho. Elas só trabalham lá por que nós produzimos lixo e esse lixo sempre vai parar em algum lugar. Aquelas pessoas, se tivessem outra opção, não estariam lá. Talvez você não tenha outra opção a não ser morar nesse hotel... Enfim.. Assista ao filme novamente e vai ver que , quase todos deixaram o lixão e que nem o lixão existe mais daquela forma. Os que ficaram, ficaram para lutar por condições de trabalho mais dignas. Por que "catadores de material reciclável" são importantes em nossa sociedade. "Eles não catam lixo. Lixo não serve pra nada".
Vejo que você assina em nome de uma "sub-comissão em favor da permanência dos Moradores do Casa Grande”... Não seria melhor vocês criarem uma Comissão de Reivindicações a serem apresentadas e exigidas ao dono desse “hotel”?  Se vocês correm risco de ficarem sem teto, não é, em absoluto, por minha causa. Aliás, se o teto do segundo andar desabar novamente...não será , de forma alguma, por minha causa. Tudo que eu, como moradora dessa cidade peço, é justamente que nós, moradores dessa cidade, possamos ter um mínimo de bem estar e que os donos de “negócios” não tratem as pessoas como mercadoria, ou seja, como lixo. Porque você sabe, toda mercadoria um dia vira lixo.
Dê-se o valor! Dê exemplo!  Não é comigo que vocês devem tirar satisfações. É com o “dono do hotel” e com seus “funcionários”. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Está perto o seu fim...

Sinto que as coisas estão mudando. Sinto que Sarney ainda vai levar a dele antes de bater as botas, ou de pendurar as chuteiras. Quanto mais ele acredita que tudo pode e que seu poder é ilimitado, mais eu acredito que está perto o seu fim. Não é possível que ele e sua corja saiam impunes de nossa história. Não é possível que o Supremo Tribunal de Justiça continue servindo á impunidade, á corrupção e ás máfias nesse país. Não é mais possível que o Maranhão continue palco de tantos abusos e descasos. Não é mais possível que essa turma continue usando a coisa pública como se á eles ela pertencesse, e as verbas federais como bandeiras eleitoreiras... Basta! Que a casa caia e caiam seus casarões!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Mundo em Maus Lençóis - Manifesto MA-402


Um dos caminhos para se chegar ao Parque Nacional dos Lençois, no estado do Maranhão, passa pela cidade de Barreirinhas, pela estrada MA-402.

Construida em 2002, a estrada colocou esse Parque no circuito turistico internacional. A MA-402 leva o mundo aos Lençois Maranhenses - incontestavelmente uma das incontáveis maravilhas da Terra.

Esses 245 km de estrada são bastante significativos da rapidez com que destruimos “paraísos ecológicos” e “modos de vida” considerados “rústicos demais” aos olhos citadinos.

Em quatro anos a MA-402 já transformou a paisagem e a vida ao longo de seu tapete de asfalto.

De uma semana para outra, alguma mudança ocorre: grandes áreas são queimadas, novas construções surgem de repente. Novas cercas demarcam posses. Plantados à beira da estrada, postes de concreto anunciam a chegada da eletricidade.

Talvez não consigamos mais parar essa engrenagem movida a dinheiro, mas deveríamos ao menos tentar salvar regiões como essa área que corresponde à região do Munin e Lençois Maranhenses.

Uma pequena região fazendo parte de um todo, onde nascem e crescem rios cheios.
Onde, do solo rico, brotam buritis, babaçus, cajuais...
Onde manguezais, extraordinários espécimes da flora e da fauna, e homens, mulheres e crianças vivem e dependem dessas terras.

Mas, o Turismo tende a se desenvolver como “Industria”.

Assistiremos então, quase inertes, contribuiremos a contragosto e em silêncio continuaremos aceitando tudo em nome do “crescimento econômico”.

Em silêncio aceitaremos tudo...

Contudo, perguntas não me calam!

Como impedir que o “progresso” destrua a identidade do povo dessa região?

Como impedir que as terras ao longo da MA-402 sejam transformadas em áreas urbanas, caóticas e saturadas?

Quanto tempo esse santuário - o Parque Nacional dos Lençois - vai resistir        ?

O Maranhão faz parte da Amazônia Legal e todo impacto sofrido em seu meio ambiente – mesmo a leste do 44° meridiano – repercutirá sobre a Floresta Amazônica e conseqüentemente sobre o Mundo. O nosso Mundo, o qual, você pode até não querer acreditar, jà se encontra em maus lençois.
Marilia de Laroche / 2006

Aqui o povo dirige com as mãos na buzina

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

domingo, 4 de setembro de 2011

Muitos anos de praia...



Morávamos em Nice, no sul da França. No Natal de 2002, comprei uma super bicicleta BMX para meu filho. O menino nem cabia de tanta felicidade. Íamos para o Parque du Château, para o Parque de Villegrenier, levávamos os pequenos para andar de bicicleta pelas ruas de Saint Roch e ele podia andar tranquilo pelas ruelas do velho Nice.
A BMX custou uma pequena fortuna, algo como uns mil reais. Morávamos em um prédio de seis andares e tínhamos um espaço aberto e protegido onde podíamos guardar bicicletas ou carrinho de bebê.
Quando chegou janeiro, um dia, voltando com meus filhos da escola, estranhei o fato de o portão de acesso ao prédio estar aberto. Fui até o local das bicicletas e...!!! Das três bicicletas do prédio, a do meu filho tinha sido roubada.
 Olhei pra ele e vi a carinha de quem ia chorar. Ah que a gente ia tentar achar aquela bicicleta! Eu não trabalhei tanto pra dar uma bicicleta pro meu filho pra um connard roubar. 
Pedi à minha vizinha que subisse com os meninos e que ficassem protegidos em casa que eu ia dar uma olhada pelas ruas do bairro. 
Eu pensava: se foi a turminha da área... Não vão ficar dando bobeira por ai com a bicicleta... Eles vão vender a bicicleta, eu pensei. Onde? Pra quem? Caixa Convertor!
Caixa Convertor era uma loja, recém-inaugurada, que comprava e revendia de tudo usado!
Vocês podem perguntar, mas tem ladrão na França???  É claro que tem ladrão na França! Ladrão é uma praga que tem em tudo quanto é lugar, infelizmente. O que difere é talvez a maneira como atuam : com mais ou menos grau de violência. Enfim...
Fui apressada (e com a adrenalina em química bizarra dentro de mim) na direção do estabelecimento.  Pela vitrine eu vi, e vocês não vão acreditar, mas lá estava o ladrão segurando a bicicleta em frente ao guichê! Abri a porta de vidro e entrei, rindo da situação. Era incrível como meus pensamentos tinham me levado para aquele lugar!
Umas seis pessoas aguardavam para vender violão, torradeira, bibelôs... Eu entrei, dei uma olhada na bike e disse para o atendente - que nesse exato momento devolvia a identidade ao jovem ladrão
 _ Monsieur, appelez la police, ce vélo est à mon fils, il  vient d’être volé de notre garage !
 Exclamações se elevaram no recinto: oh ! Mas o que é isso?!
 Ainda rindo (eu realmente não parava de rir), feliz (e nervosa) por ter encontrado a bicicleta do meu filho, insisti:
 _ Moço, chama a polícia, essa bicicleta é do meu filho e acabou de ser roubada por esse rapaz.
 _ Quê isso madame ?, - me disse o ladrão - Vamos ali fora que eu mostro pra senhora umas três mil bicicletas como essa. 
_ Mas essa é a do meu filho! 
_ Madame, a senhora está acusando o rapaz só porque ele é árabe? , disse-me um dos seis clientes na salinha de espera.
 _ Eu não chamei o garoto de árabe, eu chamei de ladrão! Ele é ladrão porque acabou de roubar a bicicleta do meu filho. Moço chama a polícia!
 _ Non, eu não vou chamar a polícia – se esquivando talvez da punição, me respondeu o funcionário da loja, afinal ele estava comprando mercadoria roubada.
 Aí eu já não ria mais:
_ O senhor chama a polícia nem que seja prá dizer que tem uma louca aqui dentro da loja!
 A salinha ficou em silêncio!
 Uma senhora bem francesa que tentava ali vender um secador de cabelos, me disse:
 _ Mas madame, não é porque ele é árabe...  A senhora tem certeza que essa bicicleta é sua?
 E o ladrão: “Eu posso até buscar a nota-fiscal”
 _Essa é boa! , disse eu. Pois eu posso provar que essa bicicleta é minha!  Além da nota que eu tenho em casa, ela tem o nome do meu filho marcado no quadro.
Foi um burburinho imenso de surpresa. Todos ficaram de boca aberta quando eu mostrei o lugar onde se lia Bruno no quadro metalizado. 
O ladrãozinho aproveitou a confusão e saiu de lá correndo.
 Pedi que me entregassem a bicicleta e os três funcionários negaram.
 Pensei com meus botões: se eles compram coisas roubadas, pra eles o melhor é sumir com minha bicicleta e com a identidade do ladrão. 
Fui correndo até a polícia. Já eram quase dezoito horas, o comércio ia fechar e a delegacia não era assim tão perto dali.
Chegando ao comissariado uma policial me informa que não havia nenhuma equipe disponível. Nesse exato momento chegam três policiais à paisana que perguntam pra ela qual era o meu problema. Eu aproveitei para contar eu mesma o que acabara de me acontecer.
_ Caixa Convertor comprando coisa roubada para revender?... Disse contraindo a sobrancelha um dos policias, que logo tomou a decisão: Essa é pra nós, les gars! 
E saíram os três voando na joaninha deles em direção à loja. Eu tive que fazer o trajeto todo novamente, bufando feito uma condenada, pois eles não quiseram me levar – é proibido transportar civis inocentes em carro de polícia, principalmente em eventual perseguição.
Quando lá cheguei, eles já tinham recuperado a bicicleta e o gerente estava tendo que entregar a identidade do ladrão, preencher a ficha de ocorrência e  ainda responderia em processo por interceptação de objetos roubados.
O mais velho dos policiais, à paisana, me pede então para contar a história desde o começo e ao final me perguntou: 
_ Mas o que deu na cabeça da senhora pra pensar assim em marcar a bicicleta e acertar em vir ao Caixa Convertor? 
_ Ah... São muitos anos de praia.... dezessete só de Rio de Janeiro, seu policial!    

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

As várias faces da mesma moeda


Hoje a vida me ensinou seis lições entre a Cohab e a Praia Grande. Fazia tempos, confesso, eu não pegava ônibus. Não porque eu ando de carro. Eu nem tenho carro. Mas por que eu moro no Centro Histórico de São Luis, perto do Teatro Arthur Azevedo, perto do futuro teatro municipal, perto do mercado das Tulhas, do Mercado Central, perto dos bancos e de todo o comercio principal. Nem preciso ter carro apesar de ter uma garagem para quatro. Por isso eu nem ando de ônibus, ando á pé, pois tenho tudo por perto. Aliás, não é esse o ideal, "viver a dois passos de tudo"? 
Pois muito bem, hoje eu precisei fazer uma consulta médica lá na Cohab. Confesso também que eu nunca sei onde é a Cohab, a Cohama, o Cohafuma... São tantos nomes de conjuntos habitacionais que eu nunca me entendi direito. Mas hoje eu fiz questão de aprender e fui perguntando para o moço sentado a meu lado no ônibus São Francisco / Integração Cohatrac... "Qual o nome desse bairro?", "esse é o Angelim", "aqui é o Cohafuma"... me respondia ele com a maior gentileza. Mas o que eu aprendi mesmo hoje nessa minha viagem no ônibus foi uma grande lição de valores. Vou contar o que aconteceu... 
Saí do consultório médico ás sete da noite depois de ter esperado quatro horas para ser 
atendida. A demora foi compensada pelo médico que soube me ouvir e me fez exame 
othorrino completo. De lá eu atravessei com dificuldade a pista da avenida principal – porque faixas de pedestre não há e sinal especial para pedestre também não - se vacilar os carros passam por cima. 
No terminal, esperei feito uma tola (dentro do circuito de ferro para a fila) o ônibus Circular n° 1 que me levaria á Praia Grande. Esse levou uns vinte minutos para chegar. Quando parou diante de mim, um monte de gente se precipitou ás portas e eu, que era a primeira da fila, quase nem embarcava tamanha era a falta de educação. Mas tudo bem, eu consegui entrar e ainda fui mais rápido que o jovem de cabelo pintado e me sentei na ultima poltrona ainda vaga. 
De frente á Ceasa, uma senhora imensa de gorda adentrou o ônibus com um enorme saco de laranjas. Laranjas rolaram... A dona desceu e empurrou para dentro do ônibus lotado um caixote de tomates e mais um saco enorme do que parecia ser farinha. De tão gorda ela não caberia em poltrona alguma e aquela destinada a deficientes físicos – geralmente mais espaçosa - estava ocupada por uma mocinha que fingia dormir. A senhora giga balofa então sentou-se na escada atrapalhando a passagem de quem devia entrar ou sair. Ela não parecia se incomodar. Passou todo o trajeto tirando meleca do nariz e cutucando as unhas sujas. Tão pouco se importava com o fato de uma laranja ou outra rolar pelo corredor do ônibus. Apesar de gorda, realmente gorda, tinha o rosto bonito e a pele lisa parecia ser macia. Eu admirava sua coragem e disposição : pobre, fodida, obesa... carregando sozinha aquele monte de mercadoria que certamente serviria a alimentar sua família. Senti meu coração amolecendo diante da situação daquela mulher. 
A mocinha com cara de anjo, linda, que estava ao meu lado, olhava também pra ela. 
"Que vida , não?" , eu disse. E ela fez uma carinha de compaixão. "Tem um monte de gente sacana por ai montada no dinheiro que não tem um terço da força dessa mulher", insisti em conversar... "É mesmo..." , ela concordou pensativa. Nessa, entra um rapaz distribuindo revistinhas de palavras-cruzadas aos pares para cada passageiro. Como eu não tinha dinheiro eu o agradeci e devolvi as que ele me entregou. Com estupidez ele tomou as revistas da minha mão e começou a falar para o pessoal do ônibus: "boa tarde senhoras e senhores, estou aqui vendendo esses livrinhos de palavras cruzadas e jogos de entretenimento para aumentar a cultura de vocês. Normalmente eles são vendidos a dois reais e cinquenta ou três reais e noventa, mas eu vendo a um real cada".
Eu pensei: pôxa, eu adoro palavra-cruzada será que eu tenho um real no meu bolso? 
Catei tudo que encontrei e tudo era noventa centavos. Pensei: se ele vende por um real deve aceitar noventa centavos. Mas não. Com a mesma estupidez, ele, que não vendeu uma revista sequer ali naquele ônibus, recusou minha oferta e me disse um não tão arrogante e categórico com uma cara de mau humorado que fiquei sem graça. 
A moça anjinha ao meu lado, me disse: "eu tenho dez centavos, você quer?". Ela me comoveu. Eu disse "muito obrigado, eu só queria ajudar o moço... Mas ele recusou...". Ela 
suspirou me confortando a alma ao dizer ... "nossa, que moço mais sem noção". Meu 
coração ficou pequenininho. "Em que mundo vivemos", pensei comigo. 
Nisso, entra uma outra obesa e senta-se á nossa frente. Vendo meu interesse, e o da moça, 
pela situação da senhora gorda mal instalada na escada do coletivo, começou a puxar 
conversa dizendo que aquela mulher era "bicho ruim" , que "mijava nas pessoas" e 
"nem as quatro filhas dela gostam dela". Olhei para a moça ao meu lado que olhou pra mim tão surpresa quanto eu. Nós ali falando de nossa admiração pela coragem e pela força de vontade da senhora gorda e a outra acabando com a sua reputação. Vai saber! 
Vai ver a gorda por quem sentíamos pena era mesmo o cão. Mas meu coração dizia que 
não. Quando o ônibus enfim chegou ao terminal da Praia Grande, todos se precipitavam 
para sair e literalmente passavam por cima da gorda. Eu disse "espera gente, vamos ajudá-la a descer as caixas..." . No que um moço se prontificou. Na calçada eu perguntei á ela se ela fazia aquele trajeto todos os dias. Ela me disse que não, que era só uma vez por semana. Pedi que me permitisse tirar uma fotografia dela e ela consentiu. A outra gorda, com a pele suja e os dentes podres, ficou ao lado observando. Eu agradeci á senhora que viajou na escada e a desejei tudo de bom. A outra, me vendo ir embora , num gesto suspeito e voz de serpente me sussurrou: "Ô me deixa ai um realzinho?!" . Eu ri e disse á ela: "Você falou mal da outra que estava ali dando duro e nada pediu nem pela foto que eu fiz ... Sinto muito mas eu só tenho noventa centavos". 
Atravessei a avenida em direção á Oficina Escola onde uma aula de Arte me propus a ouvir e agradeci á vida por ter me mostrado tantos lados de uma mesma moeda. 


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Hotel Casa Grande (porcherie)


Este é o lixo do pequeno hotel Casa Grande. Este hotelzinho, muita gente conhece por funcionar em pleno centro histórtico de São Luis, bem na rua da Fonte do Ribeirão - um dos cartões postais da cidade que vem sendo limpo e cuidado pela prefeitura . Ele é conhecido também por servir de motel em casos de necessidades. O dono, que só aparece de vez em quando (para buscar a graninha faturada ou levar as compras do mês), entrega a gerência desse, que poderia ser uma pequena mina de ouro do turismo local, nas mãos de uma senhora mal educada e sem a menor qualificação para o turismo, que faz questão de jogar o lixo logo cedo na calçada sabendo que o caminhão só passa á noite (entre nove da noite e três da manhã) só para impor sua autoridade sem noção. A rua, linda, o casarão, lindo, ficam assim sujos e expostos ao sol, aos ratos, gatos e cachoros que vasculham o lixo do hotel espalhando mods, camisinhas de vênus, papel higiênico e outras coisitas mas. Sem contar que a calçada é estreita. O lixo impede as pessoas de passarem. Já perguntei  á essa senhora se não seria possível pedir á faxineira deles para colocar o lixo mais tarde. Para ela é fora de questão, ela põe o lixo "quando quer". Passem lá agora e vocês vão ver as duas, a faxineira e a gerente, assistindo á televisão no hall do hotel e o lixo lá abertamente nojento ao público. Um pedido de fiscalização por parte da vigilância sanitária corre sob o numero de protocolo 258/2011. No prazo de dez dias a SEMOSP virá fazer a inspeção e nós teremos enfim um resultado. Será que vão enfim colocar o lixo no horário solicitado? A tal da gerente está certa da impunidade pois continua desafiando o bom senso colocando o lixo do hotel na esmirrada calçada em horário impróprio. Ela diz que a mulher do dono do hotel é parente dos Sarney. Será por essa razão é que ela pensa poder fazer o que quiser com o espaço público? Não percebe que está sujando e enfeiando a cidade? Será que ser parente de Sarney dá direitos a alguns em detrimento da maioria? Será que nada vai mudar?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Fonte e as “dominguadas" do Sarney



O disparate jornalístico do O Estado Do Maranhão é tão imundo, que nele o próprio Sarney, político e dono do jornal, entrega-se á falta de ética e utiliza “seu” meio de comunicação para atacar seus opositores em sua coluna de domingo. Pois é na “dominguada" do Sarney que o leitor avisado pode se dar conta do quão péssimo “escritor” é o presidente do Senado brasileiro.
Pior, é ao longo de semanas que o leitor inteligente se dá conta da campanha covarde que o jornal O Estado do Maranhão exerce sobre corações e mentes desavisados contra a atual prefeitura de São Luis. Não estou defendo João Castelo e sua administração, mas como observadora da cidade e de sua humanidade, posso dizer que esse prefeito tem feito o que é preciso fazer. Lógico que a cidade se encontrava ( e se encontra ainda em estado lastimável de degradação) mas colocar a culpa disso em sua gestão é prova de que em política quem é a bola da vez será sempre chutado e criticado. Principalmente se é oposição ao grupo oligárquico dominante. Todos nós sabemos que a cidade sofre muito com as chuvas e que desde o “golpe” de 2009 a impressão de descaso ficou mais acentuada. Como se a própria população tivesse entregado os pontos. Mas como diz um ditado árabe, “enquanto os cães ladram, a caravana passa” e penso que é isso o que está acontecendo: a prefeitura de São Luis, em seus três anos de mandato tem colocado a mão na massa, ao contrário dos que continuam colocando a mão no dinheiro público em benefício próprio. Publicidade mentirosa, falsas promessas, carnaval de insanidades... Enfim... Pior cego é mesmo aquele que não quer ver!
Eu, como uma das pessoas que iniciaram a campanha pela proteção e preservação da Fonte do Ribeirão, posso também dizer, em sã consciência, o quanto a Mirante e o jornal O Estado do Maranhão usaram o Movimento para criticar a atual gestão municipal visando, é claro, a desunião e a desestabilização para angariar votos para as próximas eleições. Quanto mais o governo de Roseana Sarney se atacar ao atual prefeito, utilizando a força de “seus” jornais, mais chances ela e seu pai terão de eleger um aliado político para a prefeitura em 2012. É tão óbvio que chega a ser revoltante.
Como jornalista (sem patrão, por opção, e com a consciência tranqüila) me preocupa esse domínio sobre os meios de comunicação, exercido por políticos. Deve haver uma maneira, baseada em nossa Constituição, de retirar das mãos de políticos a propriedade de jornais, rádios e televisão. Por que é evidente que exercerão parcialidade em favor de seus donos. Esse tipo de jornalismo é o mais nocivo que existe porque é aquele que torce para que as coisas boas não aconteçam e espera sempre que a casa caia para poder anunciar tragédias.
Saibam que a Fonte do Ribeirão está sendo revitalizada, foi lavada, será pintada e iluminada e segundo o Secretário de Turismo, Liviomar Macatrão, ela será vigiada pela guarda municipal para impedir que seja mal tratada por pessoas que, infelizmente, não possuem a educação necessária para entender a importância da Fonte para o Patrimônio da Humanidade. Pessoas á quem a educação, durante tantos anos, foi a elas negada pelos governos Sarney. Sim, por que nesses quase cinqüenta anos, mandando e desmandando, no poder, já era tempo do Estado do Maranhão ter educação bastante para que sua população saia desse tenebroso estatuto da ignorância apresentando os piores índices em todos os quesitos básicos de direitos dos cidadãos.
Usar a Fonte do Ribeirão para falar do estado em que se encontra o Maranhão foi a maneira que encontramos, nós do Movimento na Fonte, para alertar os habitantes de São Luis. O problema não é a Fonte do Ribeirão, o problema é a fonte de todos os nossos problemas: gente incompetente exercendo cargos de responsabilidade pública, abuso de poder de uma minoria enriquecida a custa justamente da ignorância do povo e essa tão nacionalmente exercida corrupção. 
Senhor Sarney, vá até a Fonte do Ribeirão e veja com seus próprios olhos que apesar de tudo essa prefeitura está fazendo o que os artistas e moradores pediram em fevereiro desse ano. Não é por causa das matérias tendenciosas do "seu" jornal. 
Aproveite para dar uma olhada na Escola Modelo, do Estado. Quem sabe sua filha atende a essa próxima reivindicação dos moradores do Centro de São Luis.  O dinheiro que ela pensa entregar para o carnaval do Rio de Janeiro, seria mais bem empregado na reforma e revitalização desse importantíssimo estabelecimento de ensino construído em um dos raros períodos em que o senhor não se encontrava á frente do poder no estado.

sábado, 13 de agosto de 2011

Durante o dia , lugar de criança é na escola ....

e nos fins-de-semana, na praia, nos parques e jardins, em casa com os pais, na casa dos avós, na piscina, nos museus, nas galerias de arte, no campo, brincando com os amigos, ao sol ...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

Inércia, ovelhas e alcoolismo...

Nos ultimos tempos, muito tem sido escrito sobre a inércia do povo brasileiro. Questiona-se por que o brasileiro não reage á tantos escândalos de corrupção , ao descaso latente do poder público, ás nossas mazelas diárias.... O brasileiro aceita tudo calado e não tem mais ânimo nenhum para ir para as ruas lutar por seus direitos. Talvez porque não há reação por parte da "justiça", talvez porque o povo tem a certeza de que os verdadeiros ladrões do país permanecerão impunes e não há exemplos consistentes de respeito ás leis. Dois pesos, duas medidas. Seguimos em frente sem perspectivas de um futuro tranquilo. A ignorância impera fecundando a violência. A impunidade domina o inconsciente coletivo. Seguimos vivendo o dia-a-dia sem segurança, sem hospitais, sem educação , sem limpeza e com uma baita sensação de que só os pilantras estão vivendo bem. A grande maioria vai vivendo, bem mal. E dá-lhe cachaça ao povo brasileiro. Cachaça, cerveja , breguice e futebol!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Estado Laïco

"Estado Laico", para quem não sabe, é um Estado - uma nação ou país - que é oficialmente neutro em relação ás questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião. O Estado Laico deve garantir e proteger a liberdade religiosa de cada cidadão. porém um  Estado Laico evita que alguma religião exerça controle ou interfira em questões políticas - consta de nossa Constituição Federal - na qual infelizmente o Sarney mandou incluir "sob a proteção de Deus" em seu preâmbulo O Estado laico não tem sido respeitado. Virou foi chama voto para muitos candidatos de partidos e bancadas religiosas. Desse jeito vamos acabar virando Estado Teocrático Socialista de Direita.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Padaria Santa Maria


Ton Bezerra : O Corpo da Denúncia

Com uma performance salpicada de cor e ousadia, Ton Bezerra ganhou mais um dos prêmios do Salão de Artes Plásticas de São Luis. Intitulada O Corpo da Deúncia, a performance de Nadilton percorria os corredores do salão repercutindo promessas de políticos e o discurso de Cidinha Campos denunciando a corrupção congênita no Brasil. Sua performance  "sugere uma visão crítica em relação ao circuito da arte e ao contexto da precariedade do sistema.... A falta de acesso á arte e a possibilidade de transformação que ela permite converte-se num aspecto crucial, um imperativo do qual o artista não pode exirmir-se" - Ton Bezerra.
Agora os artistas vão lutar para que o prefeito João Castelo assine um projeto de lei instituindo a Oficina Escola como espaço dedicado ás artes visuais da cidade. Dentro de sete meses o Cine Teatro Roxy será entregue á população. O Roxy e o Espaço Oficina Escola , portanto, serão verdadeiros presentes  de 400 anos para a cidade.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Vida longa ao "Curta" - texto de Ubiratan Teixeira

"Passei o fin da ùltima semana respirando o ar menos contaminado dos Lençóis Maranhenses, no portal da região que é Barreirinhas - indo daqui pra là, bando de quizilhentos. Não fui mergulhar nas lagoas naturais nem me lambrecar de areia ou cavalgar de "toyota" pelas dunas (prática de outros lençóis de areia neste não permitida), mas participar do primeiro "Curta Lençóis", criação desse lírico desvairado que é Euclides Moreira Neto, Diretor do Departarnento de Assuntos Culturais - DAC - da Universidade Federal do Maranhão. Um rendez vous despido das tradicionais lantejoulas de brilho efêmero, aquele que faz o prato cheio dos paparazis da vida; neste presente, a fonte de luz brotava mesmo era da cabeça de cada participante que ancorou no encontro esbanjando idéias malinas de hlcidas linguagens, trazendo para 0 grupo ali reunido um Brasil que nao lula. Nomes inteiramente desconhecidos para a imprensa do descartavel, personalidades que fazem a diferença e conferem sentido e dignidade à linguagem cinematogrâfica, criadores de fomo e fogao coma Marcio Cavalcante, May Waddington, Aurora Miranda, Euzébio Zloccowck, Mârcia Paraiso, Carlos Normando, Ana Paula, os mais diferentes e autênticos sotaques deste pais continental, dos pampas aos carrascais nordestino, responsáveis por esse magnífico encontro de pequenas obras-primas que nem o mais isento e frio analista pode deixar de vibrar e aplaudir, como o caso do delicado trisquinho de bom gosto que foi o A última gota, um minimal de um minuto e cinco segundos de duração sintetizando o que será a angùstia de todo um planeta quando o último pingo d'água se evaporar da face da terra. Por que instalar um evento dessa dimensão num sítio tão distante da última sala de projeção do planeta, onde a comunidade nunca viu um cinema, onde os jomais diários impressos nunca chegarn, afastada milhares de léguas da última banca de revistas, com apenas dois canais de televisão com imagem xué, devem questionar os ansiosos. É que Barreirinhas existe - e como! É como deve ter pensado corn lucidez o fofo diretor do DAC da Universidade Federal. E em termos universais tem o mesmo peso ecológico dos Alpes Suiços e das cataratas do Niágara ou dos Parques Temáticos do Kenya. Levando este lúcido grupo de realizadores até essa banda do litoral maranhense (hoje acuada por investidores sedentos de euros e dóIares), Euclides Moreira Neto tenta reunir preciosas parcerias que possarn discutir (de forma politicamente isenta e lúcida a região que já começou a ser violentada de diferentes maneiras; quer saber como e sentir uma beiradinha insignificante? Pela manhã não se toma mais café corn beiju, mas corn tapioca, a galinha caipira desapareceu das mesas de refeição, a "cozinha" vai se sulificando (se tem maranhensidade por que não haver sulificação?) 0 sorvete que se consome é da "Quibon", pouca gente sabe o que sarrabulho, rebuçado não existe mais, a linguagem perdendo o vocabulário nativo e até mesmo nosso bom sotaque - na terra onde  o buriti abunda, você não encontra um doce de buriti decente e se quiser se deliciar corn um autêntico, legítimo e saboroso picolé de juçara, tem que vir na minha casa. Corn tanta e poderosa manifestação nativa que certamente ainda persiste na comunidade e vizinha ao boi de Morros e ao de Axixá, o que foi trazido por um estabelecimento de ensino local para encerrarnento festivo do evento? Uma roda de capoeira. Instalando-se em Barreirinhas e enfocando questôes ambientais como as discutidas por Mârcio Sérgio no seu bem produzido Entre os lençois, Marilia de Laroche com um lùcido 0 Mundo em maus Lençóis, Weber Santana mostrando até onde vai nossa irracionalidade corn Rio ltapecuru, Aurora Miranda confirmando-se em Coraçâo Raiz, é possivel que o sistema ainda possa pora a mão na consciência (se é que exista algum político comprometido corn causas justas e tenham consciência racional) e repensar alguns dos prograrnas de palanque traçados à revelia do bom senso. Não estou entrando no mérito da discussão dos ecologistas que questionarn, com ira justa, a construçao da MA 402, talvez a rodovia mais confortável e mais bem conservada de toda a malha viária maranhense - mas o leitor já tentou enfiar um piercing infeccionado no lugar errado do seu corpo? Nem quero questionar o Ibama, impotente e acovardado diante da multidão de carteiradas de que deve ser vítima (ou mesmo pegando por baixo dos panos a sua "parte"), que se faz de cego e mouco diante das mansões que vão sendo construidas de forma inadequada às margens do rio Preguiças, as "avoadeiras" vomitando óleo desvairadamente na via fluvial (já não se consome o bom e saudável peixe da região, morto ou enxotado pela intervenção estranha), nem a inevitável instalação da plataforma de exploração de petróleo que a Petrobrâs fará dentro de mais algumas semanas para aproveitar a fartura do produto entranhado nas falésias por baixo da bacia sedimentar da região (eu trabalhava na Petrobrás nos anos 60 do século passado, e num certo fim de tarde, batendo corn os nós dos dedos sobre um mapa do litoral maranhense, mister Bus, chefe da Schluinberger no Maranhão me falava de modo profético: "Jomalista; dentro de poucos anos, quando o petróleo de em cima estiver se esgotando, os conterrâneos vão mudar a paisagem de vocês igualzinho como fizeram com a Venezuela." - Não é agora que estão sacando que a bacia de Barreirinhas está afogada no ouro negro: Tio Sam já sabia, a empresa francesa de prospecção sísrnica já sabia, os grandes cartéis sempre souberam. Donde devemos curtir Lençóis enquanto estiver curtível: inclusive corn o "Curta Lençóis", esta boa e saudável iniciativa desse brilhante produtor cultural que é Euclides Moreira Neto". Ubiratan Teixeira - O Estado do Maranhéao , página 6 do caderno Alternativo do dia 20 de junho de 2008.

domingo, 3 de julho de 2011

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Traços premiados !

90cm X 60cm

Meus "traços premiados" são traços para deficientes visuais inscritos nas calçadas da avenida Magalhães de Almeida, no Centro de São Luis. Me chamaram a atenção pelo colorido e pelo fato de estarem quebrados, o que não ajuda muito ás pessoas que necessitam dessa "orientação".


Vencedores do 2° Salão de Artes Plásticas de São Luis:
-1° lugar geral: fotografia : Moisés Ferreira com as obras "Silêncio I" e "Silêncio II"
- Instalação: Marcelo Flecha , com a obra "Labirinto"
- Fotografia : Marilia de Laroche, com  "Abstrato Urbano Digital"  e Edgar Rocha, com "Menina com o ferro"
- Desenho: Claudio Costa, com "Páginas de um alfarrábio I, II e III"
- Performance : Ton Bezerra, com  "O corpo da Denúncia"
- Pintura: Maciel de Jesus Amorim Pinheiro, com "Durmi ontem no Socorrão II".
"Os jurados que tiveram a difícil missão de selecionar os seis trabalhos vencedores foram: Lívia Marques Carvalho (Doutora em Artes, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP); Mestre em Ciência da Informação, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Autora de artigos e livros sobre o ensino da arte em contextos formais e não formais); Suzana Queiroga (artista plástica e professora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage; Mestre em Linguagens pela UFRJ; atuante desde os anos 80, trabalha uma grande diversidade de meios como pintura, desenho, escultura, infláveis e instalações); e, por fim, Paulo Cézar artista e professor do Curso de Artes da UFMA, especialista em restauração de azulejos" - Blog da Func (http://funcsl.wordpress.com/)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Pão e Circo - no Brasil, só circo basta / A Beija-Flor carnavaliza qualquer "negócio"

entrevista de Laíla da Beija-Flor, hoje 28/06/2011, em coletiva, em São Luis

A comissão Beija-Flor está em São Luis para conhecer os festejos juninos da cidade. A Secretaria de Estado de Comunicação organizou uma coletiva de imprensa. Dos jornalistas que lá estiveram, apenas um repórter radialista ousou perguntar sobre os famigerados oito milhões que a governadora Sarney pagaria (?!) á Beija-Flor para que o samba enredo da escola carioca seja construído sobre a história e o folclore de São Luis. A pergunta continua sem resposta,  o povo continua sem saber se, sim ou não, está bancando a festa da Beija-Flor e dos foliões da turma dos quintos dos Sarney. No momento em que eu me preparava para questioná-los se o fato da  escola estar assim ligada á ultima oligarquia do país e ao escândalo dos oito milhões enquanto a população maranhense é a de mais baixo Indice de Desenvolvimento Humano, se isso incomodava a escola, a assessora de imprensa do Estado encerrou a entrevista, sob aplausos, vejam bem, dos jornalistas e compositores presentes. Insuportável conivência local. Só me restava tentar a entrevista diretamente com Laíla, diretor da escola de samba mais premiada do país, e fazer uma pergunta que não queria calar. A resposta é de deixar qualquer um de boca aberta: pouco se importam se o povo está na merda, querem mais é fazer esse nosso imenso carnaval. Afinal, quanto é mesmo que o governo Roseana Sarney vai pagar para falarem bem do Maranhão?
Com todo o respeito aos alegoristas, carnavalescos, músicos de todas as baterias, figurinistas, cenografistas e todos envolvidos nesse que é o nosso grande espetáculo anual, eu devo dizer que o envolvimento de artistas com a falta de ética e o descaso em saber de onde vem o dinheiro  que banca a nossa criatividade e o desrespeito para com a população em geral, me causa mal, nos causa muito mal. Penso que devemos contrinuir para que o país se livre dessa corrupção entre arte e dinheiro público ofertado por políticos "redondos" incrustados no poder minando nossas vidas e esperanças de um país melhor.  Que esse video sirva para reflexão.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Vista do rio , São Luis é tão linda!

Vista de perto é que os problemas aparecem, latentes:  buracos, lixo, descuido, trânsito caótico, praças ocupadas por desocupados... Descaso do poder público. Como se não bastassem as tempestades equatoriais...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Assinada a ordem de serviços para a construção do Cine Teatro Municipal de São Luis.


A transformação do Cine Roxy (que até a semana passada era "o" cinema pornô da cidade) vai enfim se transformar em Cine Teatro Municipal - algo que se espera bem mais apropriado para a cultura local. A obra é a primeira das quatro previstas pelo Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas - parceria entre a prefeitura de São Luis e o Governo Federal - e vai custar R$1.239.518,41. A obra será executada pela Fundação Municipal do Patrimônio Histórico (FUMPH).

A inauguiração do Cine Teatro está prevista para daqui sete meses quando serão entregues á população 239 lugares , palco de 39,32m² com estrutura em freijó (madeira de lei), camarins, foyer , banheiros, sala administrativa e cabine de som e projeção com equipamentos de áudio e vídeo multimídia. Uma vez inaugurado, a Fundação Municipal de Cultura é que vai gerenciar o Cine Teatro.

Bruno Azevedo: putaquipariu!

Bruno Azevedo é desses autores que não deixam o leitor se desligar do texto. Cativa, embala, desembesta. Não dá vontade de parar de ler... O arroz está no fogo, mas ái, espera... só mais essa página! Eu li Breganejo Blues em quatro horas! "Breganejo Blues, novela trezoitão",  é o polar da breguice da música de corno. Muito bom! Muito divertido! Muito ousado! Delícia de texto, delícia de humor negro, delícia de maneira de falar...
Quando fui apresentada ao Bruno Azevedo numa noite de lançamento da revista Pitomba, lá no Bar do Porto, eu entendi que estava diante de um carinha novo, cheio de talento e imaginação, prestes a ser pai e com o futuro garantido na lietratura  brasileira. Brinca com o nosso coloquial sem medidas e desconstrói o português libertando a nossa fala.
Outro livro dele, "O Monstro Souza, Romance Festifud"  é exemplo fantástico de criação literária. É São Luis, é o Maranhão, é o Brasil em essência! Recortes verdadeiros de jornais e bandas de histórias em quadrinhos dão o toque alucinante das estórias de um cachorro quente que um dia foi jogado ao chão. Um ser recriado contaminado de micróbios, bactérias, podridão. Bruno Azevedo ama São Luis e nem por isso deixa de mostrar a realidade fedida da cidade, pérola da arquitetura colonial, Patrimônio da Humanidade.
Não preciso dizer mais nada. Bruno Azevedo é o escritor maranhense da atualidade.
Mas atenção! Seus personagens são cruelmente articulados. Leitura recomendada somente para quem tem cabeça e estômago bem no lugar. 14/02/2011
O Bruno tem esse blog , que na verdade se intitula O Putaquipariu, onde o gênio de São Luis mantém personagens em ação. O matador de funcionários públicos é daqueles !

terça-feira, 7 de junho de 2011

Brasil: que Inferno !!!

Cai o Palocci, enfim!!! Mas a situação do país ainda é de muita vergonha. No Rio , mais de quatrocentos bombeiros, vejam bem, "bombeiros" ( que apagam fogo e salvam vidas!) estão presos por causa da greve por melhores salários e condições de trabalho que resolveram fazer no quartel. Enquanto isso prefeitos, prefeitas, vereadores e secretarios de estados e municípios que roubaram dinheiro publico em falcatruas mil, estão livres graças ao tal do habeas corpus - o mesmo que deixou fora da prisão o Pimenta que matou a Gomide... Enquanto isso .... o assassino do estudante no campus da USP confessa o crime e é liberado e ainda sai rindo... Enquanto isso um monte de bandido sai para passar dia das mães em casa e mata, sai para passar Natal e violenta crianças... Enquanto isso um terrorista italiano se dá bem com a "justiça" brasileira.... Enquanto isso quem roubou os portões do cemitério de Alcântara hoje é presidente do Senado brasileiro... Só mesmo no Brasil!!! Enquanto isso quatrocentos "bombeiros" permanecem presos sem que eles tenham cometido qualquer "crime" contra a população. Não são "bandidos"! Mais uma do Brasil contra seu povo. A população precisa dos bombeiros livres!