domingo, 24 de abril de 2011

Brasil, mostra a sua cara


Ler o jornal O Estado Maranhão é se dar conta do quanto é necessária uma lei que retire das mãos dos Sarney (e de todos os políticos brasileiros ) as concessões de radio, jornal e televisão. O texto do Sarney desse domingo é, no mínimo, intrigante. O cara escreve sobre sua viagem "santa" á Velha Europa e se permite dizer que a Europa é decadente e nós um "gargalo de êxitos". Ao falar dos problemas econômicos enfrentados por Portugal , esquece de mencionar nossas mais profundas mazelas. Essas que nem um século vai conseguir eliminar se não comerçarmos já a tentar resolvê-las, como por exemplo nossos graves problemas de saúde e educação. Sarney esquece que em Portugal ou em qualquer outro país da Europa , mesmo "decadente" , as escolas públicas e os hospitias públicos são ainda os de melhor qualidade,  que lá ninguém precisa deixar cheque de caução para ser atendido em emergência. Esquece de dizer que na Europa, os filhos de "vereadores", deputados e senadores frequentam escolas públicas e ninguém procura clínica particular pois o sistema de saúde público ainda é o melhor do mundo. Esqueceu de dizer que quando ele próprio precisa de médico , vai para São Paulo se tratar no Sirio Libanês e que sua filha só resistiu a tantas "operações" por que teve atendimento privilegiado, de primeira . Se ela tivesse dependido do Socorrão já estaria morta. Esqueceu de mencionar a tristeza de nossas mães, a violência das ruas, nosso trânsito assassino, essa corrupção congênita impregnada desde o senado (esse mesmo que ele "preside"). Em seu texto ele diz que o astral do europeu está baixo. Por que ele não fica rindo de tudo feito o brasileiro, que vive no país do carnaval e da " piada pronta"?  Francamente.... É preciso tirar esses meios de comunicação das mãos dessa gente. Só nos jornais deles o Brasil e o Maranhão vão bem, porque na vida real, a gente vai bem mal!!!

Leiam a coluna do Sarney desse domingo 24 de abril de 2011, faço questão de transcrevê-la aqui:

A velha Europa
"Roma-Há alguns anos não voltava á Europa. Vejo-a deprimida, como numa sensação de crise insuperável, um pouco aquilo que viveu o Brasil durante muitos anos: o famoso abismo, "estamos á beira do abismo", que o nosso Jânio, no seu pernosticismo verbal, chamava de "dédalo". Desapareceu o brilho dos seus encantos.
O contraste com o nosso ânimo é imediato. Saímos da euforia de um Brasil que cresce, em que há empregos e a auto-estima voltou e que já fala grosso nos fóruns mundiais.
Portugal considera-se num beco sem saída. As exigências da União Européia são para que aperte o cinto, baixe os salários, reduza o déficit, corte os gastos, e o resultado é que as assustadoras agências de avaliação das economias dos países, sempre com alma de cassandras, fazem com que os títulos públicos portugueses estejam cada vez mais desvalorizados, já pagando juros de 8%, superados só pela Grécia com quase 10%. O presidente de Timor Leste, que estava em Lisboa, responsabiliza estas agências - empresas de "rating" - como abutres que especulam com a manipulação dessas avaliações, levando os países que têm de buscar financiamento nos mercados internacionais a pagar juros elevados. Freitas Nobre, antigo colaborador do ex-primeiro-ministro português, José Sócrates, diz que a crise é real mas não desesperadora. Por outro lado, o médico e monstro FMI é chamado e todos o recebem de cacete na mão.
Converso com Mário Soares, este homem que envelhece cada vez mais reconhecido como grande estadista mundial, e ele me diz que a crise é mais política que econômica. Está sendo provocada pelo CDS-PP - partido que dá apoio ao presidente Cavaco Silva -, que derrubou o governo Sócrates, fez convocar eleições e agora não quer ganhá-la para não ter que resolver o grande abacaxi que atualmente é a economia portuguesa. Diz-me Mário Soares que a crise é da Europa toda, que vive a decadência num mundo que se renova com a China e os outros membros do BRICS - Brasil, Rússia, Índia e África do Sul. Ressalta a falta de líderes na Europa, homens e mulheres, leia-se a chanceler Angela Merkel, sem as condições dos estadistas do passado, que superavam crises e guerras.
Chego á Itália e aqui o Berlusconi diz que vai viver 120 anos, que não pretende ir para casa, que as meninas de que o acusam ter abusado recebiam apenas um gesto de ajuda para não caírem na prostituição.
Assim está a velha Europa com os achaques do tempo e nós com os gargalos do êxito, lutando para não crescer e evitar a inflação, com dona Dilma brilhando de mão firme no timão."

É demais , não é não?!
Estamos diante de um caso de um nú falando de um bem vestido.